Toca a espreitar

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A ti avô, Parabéns

Hoje o meu avô faz anos. O meu avô Tino faz hoje anos!

Confesso que não sei quantos são, e confesso também que sempre que celebro a vida, me deixa um trago agridoce, de medo que seja a última vez.

Hoje o meu avô Tino faz anos! Certamente não uma mão cheia, nem tão pouco serão apenas duas! Mas tenho a certeza de que serão umas quantas mãos cheias de amor, de gargalhadas e de sorrisos.

Hoje o meu avô Tino faz anos, aquele a quem carinhosamente chamo de "meu", de "avô" e de "Tino" desde que me lembro de ser gente. Fui eu que o tornei avô, fui eu que lhe dei carinhosamente o nome de Tino, e fui eu quem se apoderou primeiramente dele, como sendo "meu". 
O meu avô que me levava às festas na sua Vespa e que me trazia sempre com um "manão" agarrado ao pulso que fazia as minhas delícias. O meu avô que me ofereceu a minha primeira bicicleta. O meu avô que eu obrigava a brincar com as minhas bonecas e a quem eu punha chapéus inventados à pressão para que ficasse todo jeitoso nas fotografias.
O meu avô que se afastou de mim, o meu avô de quem me afastei inconscientemente. Porque quando somos pequeninos, e uma família se torna em duas, temos uma dificuldade enorme de nos apercebermos que nessas duas, continua a existir uma, a nossa!

O meu avô Tino faz anos e não é mais a pessoa que eu conheci, o homem de poucas palavras e de olhar carinhoso, cheio de energia e vida. Tem agora, onde antes vivia o carinho, um olhar vazio de quem procura e não encontra, de quem olha e não vê. E dói-me, tentar encontrar-me naquele olhar e em vez disso, me perder naquele vazio. Dói, tentar que ele me veja e ele, simplesmente, por vezes já não sabe quem sou. O Alzeimer, nem lhe bateu à porta, nem tão pouco pediu permissão para entrar, chegou e tomou conta de tudo como se fosse senhor de alguma coisa. Rouba-lhe memórias e todos os dias rouba um pouco dele, um pouco de mim, um pouco de nós, que se vai perdendo naquele enorme vazio.

"Avò Tino, olha-me, vê-me, recorda-me! Sou eu avô, a Mariana, a tua primeira neta, lembras-te? Aquela menina de pele de porcelana com ar de boneca? Sou eu avô, a Mariana do sorriso e das gargalhadas com o "manão" preso ao pulso. Sou eu! Sou eu avô, a Mariana burra que vive com vazio enorme de não te ter aproveitado mais, sou eu! 
Podes por vezes não te recordar de mim, mas eu recordo-me de ti, sempre e para sempre.
Parabéns Avô Tino!! Nunca to disse, somos ambos de poucas palavras, mas amo-te, oh se te amo, desde aqui até à Lua e desde a Lua até aqui ao coração, vezes e vezes sem parar!"


Meu avô Tino com as filhas

Meu avô Tino e minha avô Nina, duas famílias de uma só

Meu avô Tino e as filhas


Para sempre, tua neta

Mariana do "Manão"